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'Poluição é um problema do presente': pesquisador do interior de SP ganha prêmio em Harvard com estudo sobre lixo tóxico

Pesquisador de Sorocaba ganha prêmio em Harvard com estudo sobre 'lixo tóxico' Um pesquisador de Sorocaba (SP), de 24 anos, venceu, em março, um dos prêmios...

'Poluição é um problema do presente': pesquisador do interior de SP ganha prêmio em Harvard com estudo sobre lixo tóxico
'Poluição é um problema do presente': pesquisador do interior de SP ganha prêmio em Harvard com estudo sobre lixo tóxico (Foto: Reprodução)

Pesquisador de Sorocaba ganha prêmio em Harvard com estudo sobre 'lixo tóxico' Um pesquisador de Sorocaba (SP), de 24 anos, venceu, em março, um dos prêmios mais prestigiados para jovens cientistas brasileiros nos Estados Unidos. Alisson Moraes, recém-mestre em sustentabilidade pela Universidade de São Paulo (USP), foi um dos quatro vencedores da 12ª edição do Brazil Conference at Harvard & MIT 2024, com uma pesquisa sobre diplomacia ambiental e gestão de resíduos perigosos, com foco em metais pesados. O trabalho de Alisson analisou três décadas de políticas públicas brasileiras e investigou como convenções internacionais, especialmente a Convenção de Basileia (que regula o transporte de resíduos perigosos), influenciam as decisões do Brasil no controle de lixo tóxico, como pneus usados, mercúrio e chumbo. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp "Encontrei na minha pesquisa que o que ocorre nas instâncias internacionais influencia muito a política doméstica, e o que ocorre dentro do âmbito interno brasileiro influencia a política externa, afetando diversos países, sobretudo na temática de controle de pneus", explica Alisson. Segundo ele, o período de maior atenção governamental ao tema foi entre 2000 e 2011, quando a União Europeia pressionou o Brasil, no âmbito da Organização Mundial do Comércio, a aceitar o recebimento de pneus usados. Essa disputa levou o país tanto à judicialização interna quanto a uma atuação mais ativa na Convenção de Basileia. Pesquisador de Sorocaba (SP) ganha prêmio internacional com trabalho sobre gestão de resíduos perigosos e diplomacia ambiental internacional Brazil Conference/Divulgação 'A poluição é um problema do presente' O interesse pelo tema nasceu em 2021, durante a iniciação científica no Grupo de Diplomacia Ambiental da USP, coordenado pela professora doutora Wânia Duleba e pelo embaixador Rubens Barbosa. Na época, os focos eram o mercúrio e a Convenção de Minamata. A partir daí, Alisson ampliou o olhar para a Convenção de Basileia. "É um tratado que basicamente lida com o tráfico ilegal de resíduos, um movimento que historicamente ficou conhecido por países do norte global enviarem lixo para países do sul global, sobretudo países africanos", explica. LEIA TAMBÉM: Sítio no interior de SP armazena material radioativo há quase 50 anos Venda do 'lixo atômico' de Itu fracassa após 6 adiamentos e falta de propostas Criado 12 anos antes de acidente radioativo com Césio-137, 'lixo' atômico revoltou moradores e segue armazenado em sítio de Itu Para o pesquisador, o maior objetivo da pesquisa vai além do reconhecimento acadêmico. "Meu maior objetivo é que nenhum país vire um depósito de resíduos e que todas as pessoas entendam a importância da agenda de segurança química. Não é necessário saber o que é mercúrio ou chumbo, quais são suas propriedades, mas é importante entender como se prevenir e fazer pressão para que governantes coloquem essa pauta como prioritária", comenta. O pesquisador também destaca a urgência do problema: "A poluição é um problema do presente, não do futuro. Não está distante, está no dia a dia. E as pessoas mais afetadas são o cidadão comum e aquelas que vivem em situação de vulnerabilidade". A conquista do Brazil Conference também foi celebrada no âmbito governamental. "Fico especialmente feliz por ver a pauta de segurança química e gestão de resíduos ganhar esse espaço de destaque internacional. O Brasil precisa de pesquisadores que aliem excelência acadêmica, compromisso público e visão transformadora", afirma Thaianne Resende Henriques Fabio, do Departamento de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Initial plugin text Da zona norte de Sorocaba para a ONU Nascido e criado na Vila Angélica, na zona norte de Sorocaba, Alisson hoje tem uma trajetória internacional. Além da pesquisa, ele atua na Divisão de Governança do Secretariado das Convenções de Basileia, Roterdã e Estocolmo, um órgão ligado ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). "Saí da zona norte de Sorocaba e fui para convenções internacionais, tanto como observador, fazendo pressão para que determinadas pautas entrassem na agenda internacional, quanto como profissional, acompanhando as negociações nos bastidores. Para mim, é uma verdadeira alegria contribuir para as Nações Unidas", conta o pesquisador. Alisson é bacharel em gestão de políticas públicas e, desde sexta-feira (17), é mestre em ciências pelo programa de pós-graduação em sustentabilidade da USP. Pesquisador de Sorocaba (SP) ganha prêmio internacional com trabalho sobre gestão de resíduos perigosos e diplomacia ambiental internacional Arquivo pessoal Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM